quinta-feira, 4 de julho de 2013

Contradizendo Gregório, o Boca do Inferno...


A inspiração:


Pequei Senhor: mas não porque hei pecado,
Da vossa Alta Piedade me despido:
Antes, quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida, já cobrada,
Glória tal, e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História,


Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada;
Cobrai-a; e não queirais, Pastor Divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória

(Gregório Matos)


E depois da Transpiração a obra (prima?):


Senhor olhai meus passos e vejais que sigo no caminho das glórias
Não se aquietes que me perde, me tens a todo momento
Dentro das minhas alegrias e das minhas perturbações
Sois a minha fortaleza, refúgio e segurança
Apascenta tu as ovelhas perdidas
Guarde-as em teus braços
Glorifique-se do que construístes e sonhais
Sonhe com a justiça e a paz vinda dos homens
Pois a suas já mandais para nos Salvar
E no fundo, bem no fundo
Sejais nosso conselheiro e fiel guardião
Amém


(Alessandro William S. Santos)



Um comentário:

  1. O poema “A Jesus Cristo Nosso Senhor” é inspirador. Se esse poema fosse pregado como um sermão nas igrejas, surtiria mais efeito do que muitos sermões vazios e pedantes que ouvimos muitas vezes. As pessoas sairiam de lá confortadas por terem percebido o alcance da bondade e da misericórdia de Deus, edificadas na fé por terem entendido uma passagem das Escrituras Sagradas, e maravilhadas com a competência poética de Gregório de Matos, que não só nos passa uma mensagem, mas o faz com beleza, com graça e com estilo.
    Esse poema reflete bem o momento histórico no qual Gregório de Matos vivia. O contraste culpa versus perdão denota a angústia mental, a falta de equilíbrio ideológico, o conflito pelo qual o homem passava. Gregório retrata os extremos: Angústia mental (por estar cônscio de sua pecaminosidade) versus alívio emocional (por compreender o alcance do perdão divino e sentir-se consolado por ele.
    O poema reflete também a espiritualidade de Gregório de Matos e sua fé em Deus. Depois de conhecer esse lado do poeta, compreendemos melhor sua crítica mordaz em outros temas. Ja meu outro poeta Alessandro Santos que se inpirou no poeta boca do inferno, amenizou suas palavras tranpondo pra si as estrofes do poema, quando diz: " Senhor olhai meus passos e vejais que sigo no caminho das glorias". Fazendo muitas analogias com os nossos dias..
    Maravilho texto.
    Avante amigo bucaneiro.

    ResponderExcluir

Entrem, comentem